Cícero Augusto 15/09/2012
(sem título)
Um pugilista é como um escritor, e quando ele sobe no ringue é como uma publicação.
Está exposto ao punho da crítica, ao forte e doloroso jab do crivo coletivo, chega a hora da verdade.
Alguns escritores vencem logo no primeiro round como Oscar Wilde, Carlos Drummond de Andrade, Hemingway ... outros alcançam a vitória mais tarde, Dostoievski, Bukowski, Henry Miller, é o que se chama de 4° round. Mas a maioria beija a lona quando o gongo toca. Os bons, com muito esforço e talento, pois dedicação, sem talento é inútil, esquivam-se dos socos, das dificuldades, tem que ser rápido, se não a derrota nocauteia.
São mentirosos, fingem movimentos que não irão concluir. São heróis de suas vidas. Muhammad Ali, uma vez disse que as mãos de Malcom X fez mais pelos negros americanos do que seus punhos, talvez seja verdade. E um certo dia em Oregon, um garoto, pediu uma orientação sobre algumas técnicas de boxe e ele respondeu: "Voe como uma borboleta e ferroe como uma abelha". É assim a boa escrita, simples/leve e profunda. Ali seria um bom escritor, mas em uma cabeça não cabem duas coroas. O boxe e a literatura tem muito que aprender um com o outro.
Haraquiri
Fúria oriental,
em corpo de gueixa.
Ásia de monções,
invadindo minha vida.
És tão selvagem como batom nos dentes,
mancha vermelha em teu sorriso branco.
Bandeira do Japão na tua boca,
samurai ferido,
beijo dormente.
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